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Ídolo venceu fã
e chega às "meias"
Ferrero
assume-se como candidato frente a Montanes
Juan
Carlos Ferrero, primeiro cabeça-de-série deste Estoril Open,
qualificou-se ao início da tarde para as meias-finais do torneio
ao derrotar Alberto Montanes, num encontro onde o "mosquito"
se limitou a gerir o jogo do adversário e a acelerar nas alturas
cruciais. Hoje Ferrero mostrou que é um forte candidato à
sucessão de Carlos Moya no torneio.
Quase que pode
dizer-se que Juan Carlos fez um jogo exemplar. Aliás,
Ferrero tornou aquilo que poderia ser difícil, num encontro
que acabou por ser fácil.
Ainda que
Alberto Montanes fosse um ilustre desconhecido, este jovem
espanhol veio do qualifyer e chegou aos "quartos"
depois de eliminar "tão somente" o sexto cabeça-de-série
do torneio, o norte-americano Michael Chang, e o eslovaco
Karol Kucera. Por tudo isto o encontro de hoje entre os dois
espanhóis não se advinhava fácil, mas no final fica a sensação
de que Montanes acusou demasiado a responsabilidade de jogar
frente ao seu ídolo, e amigo.
Juan Carlos
Ferrero acabou por vencer por 2-0, com os parciais de 6-2 e
6-4, um resultado que não oferece qualquer discussão. O
primeiro cabeça-de-série do torneio esteve sempre em melhor
plano que o adversário. Esteve bem no serviço (que
representa uma melhoria enorme em relação a outros
torneios), esteve muito seguro no fundo do "court"
tanto a defender como a atacar e obrigou o seu adversário a
correr muito.
Exemplo disto
mesmo é o primeiro "set". Depois dos primeiros
parciais terem sido muito discutidos, com os dois tenistas a
segurarem o seu serviço, Ferrero arrancou para uma boa exibição,
não dando grande espaço a Montanes. Fez o "break"
nos terceiro e quinto jogos colocando o resultado em 4-1, para
depois fechar com 6-2.
O segundo
"set" acabou por ser mais equilibrado, mas Ferrero
continuou muito seguro no seu jogo. Teve apenas alguma
desconcentração no quarto parcial quando Montanes fez o
"break", uma situação recuperada logo no jogo a
seguir pelo cabeça-de-série número um.
A partir daqui
Juan Carlos arrancou outra vez para uma exibição muito
controlada, quebrando o serviço ao sétimo jogo (4-3) e
fechando com os parciais de 6-4, num encontro que demorou
1h24m.
"Mosquito" assegura
«Não sinto
qualquer pressão»
No
final, Juan Carlos Ferrero estava muito satisfeito com o seu
jogo de hoje. «Estou muito contente por ter ganho. Ele
jogou muito bem durante todo o torneio e está a jogar muito
bem. Este era um jogo importante para ele. Mas hoje estou
muito contente porque joguei bem. Estou confiante em terra
batida» confessou o primeiro cabeça-de-série do torneio.
Ferrero, um
especialista neste tipo de piso, enfrenta agora um conjunto de
torneios que assumem grande importância, ainda assim, o
tenista espanhol recusa a ideia de se sentir pressionado,
mesmo quando à porta estão torneios como o de Monte Carlo e
Roland Garros. «Não sinto qualquer pressão. Nesta altura
estou a sentir-me bem. Gosto de jogar em terra batida e estou
contente com o meu jogo» disse o espanhol.
Alberto
Montanes
«A jogar assim
posso fazer coisas interessantes»
Satisfeito
estava também Alberto Montanes. O jovem espanhol veio do qualifying
para chegar aos quartos-de-final e, apesar de hoje ter sido
eliminado, estava contente com a sua prestação no Estoril
Open. «Foi um jogo difícil. No início estava um pouco nervoso,
mas depois comecei a jogar melhor. No segundo "set"
as coisas já correram melhor e a jogar assim posso fazer coisas
interessantes» disse aos jornalistas Montanes, 160º jogador
do ranking ATP Tour.
Agora o tenista
espanhol vai participar no Barcelona Open e num torneio de
Maiorca, ele que com os quartos-de-final no Estoril vai
escalar vários lugares no ranking, e que é um adepto do
Futebol e do Barcelona. Sobre Figo, Montanes não teve dúvidas
em afirmar que era «um "pesetero"», nada
estranho para um adepto "Blaugrana".
Com a qualificação
para as meias-finais, Juan Carlos Ferrero vai defrontar o
vencedor do encontro entre Albert Portas e Dominik Hrbaty.
Respondendo à questão sobre quem preferia, Ferrero não teve
dúvidas em dizer que gostava mais de jogar com «Portas,
porque é espanhol, e assim um tenista de Espanha chega à
final» para depois confessar que o «Hrbaty é mais
perigoso».
Ricardo Reis